terça-feira, 6 de novembro de 2007

Estudo (postado em 21/11/2007)

A mudança dos termos primeiro e segundo grau, para ensino fundamental e ensino médio me deram a primeira sensação de que estava envelhecendo. Aquela coisa de "na minha época" o nome era outro.

Lembrei logo de uma professora que dizia que "Recuperação, na época dela se chamava Segunda Época".

No ensino fundamental fui um aluno de mediano pra baixo. Na segunda série ainda deu pro gasto. Mudei de uma escola particular para uma escola pública. Lá realmente eu me destacava. Era o aluno preferido da professora. Legal isso. Engraçado que por mais que eu fale do lado negativo do ensino público, foi em um exame de rotina nessa escola que eu descobri que precisava de óculos. Viva os exames preventivos do ensino público (se é que ainda existem). Terceira série, um dia um aluno entra na cozinha do refeitório, pega uma faca e sai correndo atrás do outro. Depois de uma dessas, quarta série, lá estou eu de volta a escola particular. Dessa vez foi complicado. Pular do ensino público de volta parao particular, nao tive ritmo para acompanhar. PUF. Minha primeira reprovação.

Quarta-série, outra reprovação. Mais uma pra coleção ... adeus escola ... vamos para outra escola. Consegui seguir sem amaiores dificuldade até o final do "segundo grau". E ai chega o momento de decidir. Lá vou eu fazer um curso técnico. Eletronica. A essa altura eu já sabia que gostava de computadores. Como não eram vendidos como hoje e não conhecia ninguem que tivesse, eu colecionava recortes de jornal que falavam sobre eles. Fui cursar eletronica achando que sairia sabendo tudo sobre computadores. Quando percebi que provavelmente o ma'ximo que iria fazer seria montar uma loja de conserto de rádio e TV, pulei fora. Isso claro, após mais duas reprovações consecutivas. Com uma sequencia dessas sua auto-estima vai lá pra baixo.

Porém, começar a cursar processamento de dados me deu outro folego. Agora sim, eu cursava algo que eu gostava. Nada mais de reprovações. Ileso até o final do segundo grau.

Faculdade, lá vou eu para o "terceiro grau", com um acumulo de 4 reprovações ao longo do tempo. Aprovado de cara? Nao, No vestibular entrei na TERCEIRA lista de aprovados. Primeiro ano de faculdade arrastado, segundo ano ... a quinta reprovação. Foi o suficiente para ir a nocaute. Adeus estudos, adeus faculdade ... tentei o vestibular mais uma vez e ... lona ... nada ... ... 3 anos sem perspectiva de voltar a estudar. Foram esses 3 anos que fizeram a diferença.

Após 3 anos de "exílio", voltei para fazer o vestibular novamente. 3 faculdades. Aprovado nas 3. Sendo uma em primeiro lugar e outra em sexto. Após isso, não virei genio, mas passei a me preocupar muito mais com os estudos. Prestar mais atenção. Valorizar de verdade.

6 anos depois estou fazendo mestrado, já pensando no doutorado. Em uma das principais universidade do país. Capacidade acima do normal? Nao. Força de vontade. Que com certeza foi criada com o tempo e com a "perda" do tempo.

E é legal perceber que todos os acontecimentos vao virando lições e acrescentando ao aprendizado.

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